Equidade de Gênero em Empresas Paulistas

Um dos desafios enfrentados pelas organizações no cenário atual é aquele que diz respeito às responsabilidade contemporâneas, sendo que as ações tomadas por administradores (sobretudo gestores) refletem essa preocupação (ou não) das empresas. Dentro desse grupo encontramos fatores como preocupação com trabalhadores e acionistas minoritários, equilíbrio entre maximização de riqueza e as melhorias sociais, a ética com a comunidade por meio de padrões sustentáveis, legais, de saúde e segurança.

Mas por qual motivo uma empresa teria essas preocupações que, a priori, só demandariam recursos escassos sem algum retorno? A resposta é simples: estando inseridas em um contexto mais sujeito a interferências externas, ações de responsabilidade social aumentam o valor da empresa, dando maior visibilidade, credibilidade e competitividade, fatores esses almejados por qualquer organização.

Porém uma distinção merece ser feita: saber vs executar. O fato de estudos já demonstrarem a valorização de empresas devido a políticas sociais não necessariamente resulta na efetiva implementação delas, visto que grandes mudanças necessitam de tempo para serem executadas e, sobretudo, aceitas uma vez que mexem com atitudes (posicionamento perante algo) e comportamento (ação em si). Desse modo, é de se esperar que países mais desenvolvidos tendem a ter esse posicionamento antes do que países em desenvolvimento (como o caso do Brasil), vale lembrar que os Estados Unidos foram o primeiro país a criar uma legislação ambiental em 1969, ao passo que no Brasil isso só ocorreu em 1981.

Ao analisar-se um grupo de empresas nacionais localizadas no Estado de São Paulo que adotaram alguma política social, pode-se ver que mais da metade colocou em prática políticas de sustentabilidade (ligadas ao meio ambiente), sendo seguido de equidade de gênero e, por último, de inclusão e diversidade. Veja ao lado:

Gráfico 1: Tipos de programas feitos por empresas nacionais

Possivelmente essa tendência de maior aceitação de políticas de sustentabilidade tenha como uma possível explicação o fato de que seja mais fácil convencer homens e mulheres sobre a importância da preservação do meio ambiente e da sociedade em contato com as atividades da empresa do que convencer homens (o sexo masculino ocupa grande parte dos altos cargos nas empresas brasileiras) sobre a importância de políticas que visam igualar trabalhadores e trabalhadoras, sendo que muitas vezes há preconceitos presentes em decisões como contratar ou não uma mulher que pode vir a engravidar, entre outros.

Outra consideração importante é que diferentes setores de atuação das organizações possuem diferentes ambientes, ambiente esse que influencia seus funcionários e que também sofre influencias dos indivíduos que o compõem. Por exemplo, sabe-se que a mão de obra feminina é mais presente na área de serviços, enquanto setores como os industriais mantém uma predominância de homens. É plausível esperar que setores com maior presença feminina exerçam uma maior pressão no quesito de políticas de equidade de gênero, sendo que esse pressuposto pode ser notado nos gráficos abaixo

Gráfico 2: Setor das empresas e tipos de programas

Mas a questão central é: será que uma empresa que adote uma política, sendo ela de qualquer tipo, estaria mais propensa a implantar uma política de outra categoria? Para responder essa pergunta temos abaixo um gráfico de dispersão que mostra a correlação entre empresas que implantaram medidas de gênero (eixo y) e empresas que adotaram medidas de sustentabilidade (eixo x). Vale lembrar que quanto mais a dispersão dos pontos se assemelhar a uma reta, maior é a relação entre as variáveis.

Gráfico 3: Correlação da adoção de programas de sustentabilidade e programas de equidade de gênero por empresas e seu tipo de produto.

Note que existe uma correlação positiva, ou seja, as variáveis crescem no mesmo sentido: quanto maior o número de políticas de sustentabilidade, maior tende a ser as políticas de gênero, e cuja intensidade é moderada. De certo modo é esperado e plausível que empresas que tenham adotado uma política de sustentabilidade, por exemplo, estariam propensas a adotar políticas de gênero.